Título: Os Bons Segredos
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Páginas: 408
Há segredos muito bons para serem guardados — e livros muito bons para serem esquecidos. Sydney sempre viveu à sombra do irmão mais velho, o queridinho da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paraplégico, e vai parar na prisão. Sem a referência do irmão, a garota muda de escola e passa a questionar seu papel dentro da família e no mundo. Então ela conhece os Chatham. Inserida no círculo caótico e acolhedor dessa família, Sydney pela primeira vez encontra pessoas que finalmente parecem enxergá-la de verdade. Com uma série de personagens inesquecíveis e descrições gastronômicas de dar água na boca, Os bons segredos conta a história de uma garota que tenta encontrar seu lugar no mundo e acaba descobrindo a amizade, o amor e uma nova família no caminho.
Tenho que admitir que sempre quis
ler algo da Sarah Dessen. Apesar de
ser uma das grandes autoras de YA, com milhões de exemplares vendidos pelo
mundo todo, ela nunca teve uma grande expressão aqui no Brasil e, portanto, eu
nunca tinha tido a oportunidade de conhecer a escrita da autora. Porém, a Editora Seguinte, viu que não podia
deixar assim e trouxe o último livro da autora para cá. Os Bons Segredos veio como uma grande premissa e eu confesso que
abaixei as minhas expectativas ao máximo com medo de me desapontar. Não
precisava ter me preocupado tanto: Sarah
Dessen conseguiu surpreender pela sua habilidade de tratar temas
complicados com a leveza suficiente para envolver o leitor. Simplesmente
adorável!
- Foi um dia incrível. Fiz uma curva e lá estava ele. Por muito tempo não contei
pra ninguém, nem mesmo pra Layla. Mas depois acabei cedendo. Era um segredo
muito bom para deixar guardado.Bons segredos, pensei. Que
ideia interessante. p. 242
Vocês já leram algum livro em que
se identificaram tanto com um personagem que, mesmo querendo sentir ódio por
alguma ação, você não conseguiria porque sabia que provavelmente faria a mesma
coisa caso estivesse no lugar dele? Pois é. Foi exatamente essa a relação que
eu tive com Sydney, protagonista de Os Bons Segredos. Por ser um livro narrado em primeira pessoa, a grande
proximidade do leitor é com ela e tenho que admitir que ela me cativou aos
poucos. Sabem aquela raiva momentânea que você tem quando um personagem só
aceita a condição em que vive ao invés de tomar alguma atitude? Pois é. Essa
sensação me perseguiu durante as primeiras cem páginas, mas, quando finalmente
a magia aconteceu e Sydney me conquistou, vi que não iria conseguir parar de
ler o livro enquanto não acabasse.
Isso aconteceu porque Dessen tem a habilidade de conseguir
transmitir com leveza os porquês de todas as situações que envolvem os
personagens. Com Sydney foi
exatamente assim: a medida que eu ia entendendo todos os motivos por trás de
suas ações, mais eu me envolvia por ela, já que isso fez com que a minha
empatia aumentasse e, portanto, que houvesse aquela identificação que eu citei
acima. Esse excelente trabalho de
caracterização aconteceu com todos os personagens e, por mais que estes não
tenham tido um aprofundamento maior, é impossível não gostar dos Chatham –
família à qual pertencem os novos amigos de Sydney – e também não sentir um
pouco de pena por toda a situação pela qual a família da protagonista passa
(apesar de que algumas vezes foi difícil não sentir um pouco de raiva deles por
suas atitudes). A autora conseguiu
mostrar todos os lados da história mesmo com a visão limitada que a
narrativa em primeira pessoa proporciona e tenho que parabeniza-la por isso.
Uma das grandes qualidades da
autora é a ambientação do enredo. Como vocês bem sabem, eu não sou muito fã de
livros descritivos e fiquei muito feliz quando vi que Dessen encontrou um ponto de equilíbrio perfeito ao conseguir
caracterizar suas cenas e ao mesmo tempo dar espaço para o leitor libertar a
imaginação. Tenho que admitir que por isso as pizzas da Seaside me deram água
na boca o livro inteiro (e tenho certeza que ninguém vai conseguir terminar de ler
um livro sem querer comer uma pizza!) e que as batatas fritas que Layla Chatham tanto gosta também são
minhas favoritas. E isso ajudou muito no final das contas, pois a autora trabalha
com temas um pouco mais pesados – como família, amizade e amadurecimento – e
essa leveza fez com que o livro se tornasse gostoso de ser lido ao mesmo tempo
que esses temas foram muito bem trabalhados.
Levei a mão até a medalhinha que
Mac tinha me dado, como sempre me pegava fazendo. Meu Santo Qualquer. Eu
gostava da ideia de ter alguém olhando por mim, fosse quem fosse. Todos
precisamos de proteção, mesmo se nem sabemos do quê. p. 402/403
Os Bons Segredos é um daqueles livros que, à primeira vista, podem
não atrair tanta atenção, mas que, quando você começa a ler, não consegue mais
parar. É incrível como Sarah Dessen
cativa o leitor com sua brilhante forma de contar uma história, sendo leve sem
ser superficial. Quando terminei o livro, queria que a autora tivesse escrito
só mais algumas páginas, só para que eu não tivesse que me despedir dele tão
rapidamente, pois, dessa vez eu senti como se realmente fizesse parte da
história e que aqueles ali eram meus amigos de verdade. A saudade que estou
sentindo de todos é de cortar o coração e isso me fez ver que esse livro é um
segredo bom demais para ficar guardado. Então fica a dica: leia o quanto antes!