Título: No Início Não Havia Bob
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera Record
Páginas: 240
E se Deus fosse um adolescente? Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?
Vamos aos fatos: a premissa de No Início Não Havia Bob é extremamente
interessante. Afinal, o que aconteceria se Deus fosse adolescente? Eu sempre me
interesso por livros que têm a ousadia de serem originais porque já leio muito
do mesmo, principalmente dentro do gênero Young
Adult. Só que, às vezes, a originalidade pode dar muito errado. E foi
exatamente isso que aconteceu nesse livro em particular: com uma história muito
confusa e carregada de informações, a autora Meg Rosoff entregou uma trama nada convincente e que, infelizmente,
em nenhum momento conseguiu me envolver. Uma pena.
Talvez a forma de proceder seja pensar na vida na Terra como uma piada colossal, uma criação de uma estupidez tão imensa que a única forma de viver é rir até achar que nosso coração vai se partir.
É sempre ruim quando um livro com
grande potencial para ser explorado acaba sendo mais um entre tantos outros. É
assim que eu me sinto com relação a No
Início Não Havia Bob. É sempre corajoso quando um autor envolve termos
religiosos em ficção, até porque muitos leitores têm opiniões pré-concebidas e
não aceitam bem essa inserção em livros do gênero. Por causa disso e pela
sinopse muito cativante, é lógico que eu daria uma chance para ele. Só que foi
um potencial totalmente desperdiçado, uma vez que encontrei tudo aquilo que não
esperava e que, convenhamos, não queria encontrar.
A primeira decepção veio na
narrativa: a autora não conseguiu fazer com que ela me prendesse de jeito nenhum.
Por ser em terceira pessoa e contada
de vários ângulos diferentes da história, temos uma história toda picotada, como se a todo momento aquilo que está se
desenvolvendo em um capítulo fosse interrompido para contar outra coisa
totalmente diferente e isso atrapalha e muito na fluidez da história. Me vi
irritada várias vezes com essas interrupções e também não foram poucas as
ocasiões em que me vi forçando a leitura
com a esperança de que algo de surpreendente e que me envolvesse acontecesse e,
por mais que eu tenha esperado, nada disso aconteceu. Sem contar que a história é inconsistente: em um
momento estamos caminhando para um objetivo, mas, ao longo da trama, esse
objetivo muda completamente e faz com que a história perca seu rumo. Uma grande decepção.
Outra coisa que me desagradou
bastante foi a falta de aprofundamento nos personagens. A todo momento eles
eram inseridos no enredo, mas sem nenhuma explicação sobre como eles surgiram
ou qual a ligação deles com a história. Fiquei bastante perdida e não consegui
criar uma relação mais forte com nenhum deles, pois pareceu que eles foram
apenas jogados no enredo para ocupar espaços vazios. Se não bastasse isso, a
autora ainda utiliza muitos clichês para elaborá-los, ou seja, nenhum é
marcante e você provavelmente vai esquecer o nome deles no dia seguinte a
leitura. É difícil de acreditar que tantos erros tenham sido cometidos em um
único livro.
Os prazeres da vida eram tão simples, na verdade. Era só uma questão de apreciar o que tinha - e saber que as coisas sempre poderiam ser piores.
Por fim, por mais que eu ainda
tivesse esperanças, a autora fez o pior desfecho possível, ou seja, nem isso
salvou o livro de cair nas minhas piores leituras do ano. Minhas expectativas
com No Início Não Havia Bob eram as
melhores possíveis, mas a autora Meg
Rosoff desperdiçou o grande potencial que o livro tinha e criou uma
história confusa, nada envolvente e com uma narrativa que deixa qualquer leitor
cansado já nas primeiras páginas. A capa (que eu achei linda!) e a sinopse
dessa vez enganaram. Mas não temos como fugir disso, não é? Infelizmente.

0 comentários:
Postar um comentário