Título: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo
Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Páginas: 256
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.
Mais um livro do Levithan, ou seja, mais um livro que eu
fico louca para ler custe o que custar. Sou dessas fãs que, não importa qual
seja a sinopse, eu sempre vou ser uma das primeiras da fila para ler “o novo livro do Levithan” porque é
inacreditável como esse homem consegue sempre fazer os melhores livros. Eis que
surge Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo
com essa capa que ninguém pode colocar defeito e ainda com a coautoria de Rachel Cohn, com quem também escreveu Nick e Norah, um dos melhores livros
que li em 2015. Não tinha como dar errado, não é mesmo? Apesar de não ter sido tudo aquilo que eu esperava (ah, a
expectativa, como ela é má!), é um daqueles livros que a gente lê em somente
uma tarde e foi uma delícia de leitura.
Não existe alma gêmea… e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma.
Sempre gostei de uma
característica que vejo em praticamente todos os livros do Levithan: a forma
crua como ele compõe seus personagens. Sempre tenho a sensação de que aquela
pessoa de quem ele está falando poderia ser meu amigo na vida real. Pensem na
minha decepção quando logo de cara encontro personagens com características
clichês do Young adult e com atitudes
extremamente previsíveis, egoístas e maldosas. Pois é. As primeiras páginas de Naomi & Ely não conquistaram. Parecia
que eu estava lendo mais um livro do gênero, sem qualquer outra qualidade que o
diferenciasse dos demais, pois não havia nenhuma originalidade envolvida. Mas,
como estamos falando da mistura mágica de David Levithan e Rachel Cohn, é claro
que eu não iria abandonar o livro assim. Insisti e... não é que deu certo?
Ao longo do enredo, percebemos
que a amizade ganha o papel de
protagonista. Ou seja, por mais que tenhamos as duas figuras que conduzem o
enredo, a mensagem do livro é muito mais profunda do que aquilo que está sendo mostrado
ao decorrer das páginas. Uma vez que você consegue ter essa percepção, as
camadas da história vão sendo descobertas, tiradas uma a uma e esse é o grande diferencial
do livro, sem contar que ele está recheado de situações engraçadas e de temas
que precisam ser cada vez mais abordados, como a homossexualidade. A narrativa
extremamente fluida dos autores colabora para que isso aconteça, uma vez
que é sempre em primeira pessoa, mas
por diversos pontos de vista, o que faz com que tenhamos uma composição muito
mais rica do enredo e isso faz com que o leitor tenha uma compreensão muito
mais abrangente da situação em que Naomi
e Ely estão envolvidos.
Esses dois personagens acabaram
me encantando também. Por mais que Naomi
seja aparentemente a pior pessoa do mundo – e ela caracteriza a si mesma como
uma vaca –, nos damos conta de que
ela tem muito mais potencial do que demonstra e, Ely não é fútil e com sentimentos rasos, mas sim um garoto capaz de
amar profundamente aqueles com quem se importa. A forma como os dois evoluíram
ao longo da história me conquistou, até porque em diversas situações eu senti
que poderia me colocar facilmente no lugar deles. Aquela sensação de “isso poderia
estar acontecendo comigo” faz com que a empatia entre o leitor e o personagem
seja enorme e chegamos ao fim com a certeza de que nos tornamos amigos daqueles
que nos acompanharam pelas páginas numeradas.
Não. Não, não, não, não. Não é fácil. As coisas que realmente importam não são fáceis. Os sentimentos de alegria são fáceis. A felicidade, não. Flertar é fácil. Amar, não. Dizer que você é amigo de alguém é fácil. Ser um amigo de verdade, não.
Naomi & Ely e a Lisa do Não-Beijo não é uma das grandes obras
de David Levithan, mas também não
deixa a desejar. É um daqueles livros que à primeira vista parecem clichês e
previsíveis, mas que, no final das contas, nos traz uma grande mensagem. Com
uma linguagem voltada para o público
jovem adulto, é uma excelente leitura caso você esteja querendo algo mais
leve, para entreter uma tarde de tédio. Mas, vai por mim: se você é fã de Todo Dia e de outras grandes obras dos
autores, a melhor dica é ir com pouca expectativa. Tenho certeza que isso fará
com que sua leitura seja muito mais proveitosa.
Excelente notícia: o livro vai ser adaptado para os cinemas! O
trailer você confere abaixo, mas vão com CUIDADO! Ele mostra praticamente toda
a história do livro (o que mostra que vai ser uma excelente adaptação), então
se você não quiser spoilers, é melhor que não veja.

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