Título: Ela Não É Invisível
Autor: Marcus Sedgwick
Editora: Galera Record
Páginas: 256
Laureth é uma adolescente cega de 16 anos, e seu pai é um autor conhecido por escrever livros divertidos. De uns tempos pra cá, ele trabalha em uma obra sobre coincidências, mas nunca consegue termina-la. Sua esposa acha que ele está obcecado e prestes a ter um ataque de nervos. Laureth sabe que o casamento dos pais vai de mal a pior quando, de repente, seu pai desaparece em uma viagem para a Áustria e seu caderno de anotações é encontrado misteriosamente em Nova York. Convencida de que algo muito errado está acontecendo, ela toma uma decisão impulsiva e perigosa: rouba o cartão de crédito da mãe, sequestra o irmão mais novo e entra em um avião rumo a Nova York para procurar o pai. Mas a cidade grande guarda muitos perigos para uma jovem cega e seu irmãozinho de 7 anos.
Não é segredo para ninguém que a
capa de Ela não é invisível é uma
coisa linda, não é mesmo? Com certeza seria uma das primeiras que eu olharia
caso entrasse em uma livraria e não conhecesse nenhum dos livros expostos. Pois
bem. Esse foi o meu caso: fui completamente atraída por ela e logo depois fui conquistada
pela sinopse do livro, mas, ainda assim, estava com poucas expectativas. Estava
precisando ler algo diferente, algo que destoasse dos últimos livros que estava
lendo, pois cheguei a um ponto em que estava lendo histórias muito parecidas e
isso iria me ocasionar uma ressaca literária sem sombra de dúvida. Peguei esse
livro e, logo nas primeiras páginas, me vi presa por aquele enredo tão bem
elaborado e ansiando por mais. Uma excelente surpresa!
Invisível? Não; ninguém iria querer ser assim. Sem que ninguém notasse sua presença ou falasse com você. No fim das contas, acabaria sendo solitário de mais.
Sempre que um livro envolve algum
tipo de doença ou deficiência de seus personagens, eu fico com um pé atrás. É
impressionante como vários autores têm usado esse recurso para gerar uma
dramaticidade para a história e quase sempre isso é usado da mesma maneira:
como um estorvo para a vida do protagonista ou para que ele seja digno de pena.
Mas, como vocês já devem ter percebido, estou cansada disso. Por esse motivo
abaixei as minhas expectativas com relação a Ela Não É Invísivel: nessa história conhecemos Laureth, uma deficiente
visual que embarca em uma jornada junto com seu irmão para descobrir o paradeiro
do seu pai. Bom, vocês já imaginam todos os clichês que isso pode trazer, não
é? Mas não foi bem assim que aconteceu.
O autor Marcus Sedgwick não usou esse artifício como tantos outros autores,
que colocam isso como um obstáculo enorme na vida dos personagens, mas sim como
mais uma informação sobre Laureth e
também para dar uma cara totalmente diferente para o seu enredo. Como aqui
temos uma narrativa em primeira pessoa
pelo ponto de vista da protagonista, temos uma nova forma de ver o ambiente ao
seu redor: não temos descrições físicas, visuais, mas, ao mesmo tempo, é como
se o autor conseguisse transmitir tudo que está acontecendo. A narrativa fluida e extremamente instigante
também ajuda, pois faz com que o leitor se envolva com a história e fique
querendo mais páginas assim que o livro acaba.
Mas é claro que os personagens
também ajudam nisso. A nossa protagonista, Laureth,
não é definida por sua deficiência e só isso já foi um grande passo para que eu
gostasse dela. Por ter apenas 16 anos, eu pensei que iria ter que lidar com
mais uma daquelas personagens chatas e irritantes, mas, ao longo do enredo, ela
vai se mostrando bem cativante com o seu jeito obstinado de ser e foi
exatamente por esse diferencial que eu me encantei tanto por ela. É claro que
não posso deixar de citar Benjamin e
seu corvo de pelúcia: o garoto de apenas 7 anos tem uma personalidade única e consegue
lidar com a situação em que está envolvido com a destreza de uma pessoa com
muito mais idade. Adorei!
É tudo uma questão de probabilidade. Tem até um nome para isso: Lei de Littlewood, em homenagem a um professor de Cambridge. O professor Littlewood definiu milagre como algo cuja chance de acontecer seria uma em um milhão. Em seguida, concluiu que, dado o enorme número de experiências pelas quais as pessoas passam todos os dias pode-se esperar ver algo milagroso acontecer a cada 35 dias, mais ou menos. O que significa que algo que parece uma coincidência milagrosa na verdade é bem comum.
Claro que não posso deixar de
falar do excelente trabalho gráfico feito pela editora Galera Record. Além de ter essa capa linda, ao longo do livro temos
trechos do caderno do pai dela, o que confere um efeito visual muito bacana
para a obra como um todo. Ela Não É
Invisível é um livro que, por mais que seja um thriller, não é pesado e você pode ler em somente uma tarde. Ou
seja: se você está procurando algo diferente, mas que ao mesmo tempo te prenda
e te proporcione uma excelente leitura, vai por mim: esse livro é mais do que
recomendado. Dê uma chance e se surpreenda!

Ótima resenha! Estou louca pra ler este livro. Logo mais vou comprar.
ResponderExcluirOi Lu!
ResponderExcluirNão botava fé nenhuma nesse livro, juro. Também fico com o pé atrás quando o personagem principal do livro tem algum tipo de doença ou deficiência justamente por ficar se vitimizando demais... É bom saber que ao menos um livro foge disso. Deve ser no mínimo interessante acompanhar a narração da protagonista, já que não há descrições visuais. Adorei!
Beijo!
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