Título: Dois Garotos Se Beijando
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 224
Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.
David Levithan. Só preciso ler esse nome para colocar um livro
automaticamente na minha lista de livros de prioridades nas futuras compras e
leituras. Ele é um desses autores de quem eu leria até a lista do supermercado
sem pensar duas vezes. É incrível o quanto Levithan
consegue ser mágico: cada livro dele possui um brilho próprio, algo que o
destaca dos demais, independentemente do assunto a que se refira. Dois Garotos Se Beijando é uma dessas
obras primas: todo mundo, não importa o que pense ou acredite, deveria ler esse
livro. Um discurso sobre amizade, força, coragem e, principalmente, sobre o amor.
Sempre subestimamos nossa participação na magia. Isso quer dizer que pensávamos na magia como uma coisa que existia independente de nós. Mas não é verdade. As coisas não são mágicas porque foram conjuradas para nós por uma força externa. Elas são mágicas porque nós as criamos e as consideramos assim. p. 16
A única certeza que eu tenho ao
escrever essa resenha é que não vai chegar em a 10% do que eu senti lendo Dois Garotos Se Beijando. Esse é um livro
tão único, tão especial que chega a ser uma heresia eu simplesmente tentar mostrar
o quanto esse livro é significativo. Ao contrário do que o título possa
sugerir, esse não é somente um livro sobre um beijo, muito menos sobre homossexualidade:
é uma história sobre sentimentos. Ao
longo do enredo, conhecemos oito pessoas diferentes: Harry, Craig, Peter, Neil, Avery, Ryan, Tariq e Cooper. Cada um
deles com seu próprio caminho a trilhar, seus próprios medos e desafios a serem
superados. Cada um deles ganhando o coração do leitor de uma forma diferente.
A principal característica que
fez com o livro se tornasse brilhante foi a sua narrativa. Narrado por espíritos que perderam a luta para a AIDS, temos contato com todo o
sofrimento pelos quais estes passaram e ao mesmo tempo somos levados por várias
reflexões acerca dos questionamentos que eles fazem acerca das suas vidas
quanto as dos nossos oito protagonistas. É esse o grande ápice do livro para
mim, pois, além de tornar o enredo extremamente fluido, foi com esse elemento
que Levithan aplicou toda a sensibilidade
que só ele consegue ter. Todas as emoções foram transmitidas de modo claro,
intenso e isso só fez com que eu me envolvesse cada vez mais com essas
histórias, a ponto de eu sofrer junto a eles, como se fossem meus amigos
passando por cada situação pelas quais os garotos passaram.
Apesar de ser um fato, é triste
que esse livro sofra (e ainda vá sofrer) muito preconceito. A temática LGBT
ainda espanta: é capaz de algumas pessoas virarem o rosto ao verem o livro na
prateleira de alguma livraria ou te julgarem por estar lendo algo assim em
público. Mas, enquanto não dermos o primeiro passo, essa visão irá permanecer.
Livros são uma excelente forma de começar essa mudança: quanto mais esse
assunto for exposto, principalmente da maneira sensível e humana com que Levithan aborda o tema, mais pessoas
irão ver que esse preconceito só é prejudicial para todos, afinal, somos todos humanos e temos direito de
escolher como queremos viver nossas vidas e merecemos respeito.
Há milhões de beijos para serem vistos, milhões de beijos a um clique de distância. Não estamos falando de sexo. Estamos falando de ver dois garotos que se amam se beijando. Isso tem muito mais poder do que o sexo. E mesmo se tornando lugar-comum, o poder ainda está presente. Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês.
Este é o poder de um beijo:
Ele não tem o poder de matar você. Mas tem o poder de trazer você à vida. p. 72/73
Comovente e sincero, Dois Garotos Se Beijando é muito mais
do que a história de dois garotos tentando quebrar o recorde do beijo mais
longo já dado por duas pessoas. É muito mais do que a história de garotos
homossexuais. São pessoas tentando se encontrar no mundo e sobre como amor,
independente da forma como ele é apresentado, é capaz de causar as mais
diversas mudanças no mundo ao nosso redor. Com um toque da magia de David Levithan, temos aqui um livro que
poderia ser citado em sua íntegra, porque é totalmente composto por frases
marcantes e que vão me acompanhar por um bom tempo. Se você, assim como eu,
acredita que toda forma de amor é justa, não perca tempo: leia o quanto antes.
Presenteie seus amigos com esse livro. Seja parte da mudança!
Oiee
ResponderExcluirTambém gosto muito deste autor mas sempre fico triste com os finais abertos que ele coloca nos livros enfim tirando isso os livros são uma obra prima que todos deveriam ler e com certeza abrir os olhos para coisas muito mais importantes do que o preconceito né.
Beijos
www.livrosechocolatequente.com.br
Gostei do que você escreveu e o livro parece ser bem legal!!
ResponderExcluirhttp://exploradoradelivros.blogspot.com
Oi Lu, não sabia sobre essa forma de construção da narrativa do livro, e achei interessante.
ResponderExcluirConcordo com você quanto a questão de dar o primeiro passo, acho que amor é amor e o modo como cada um ama não diz respeito a mim ou a ninguém, precisamos aprender a simplesmente respeitar.
Adorei sua opinião e fiquei curiosa pelo livro.
Beijos
Penso igual você: David Levithan significa "preciso ler" hahaha
ResponderExcluirGente, que resenha é essa?? Fiquei encantada pelo livro, mas triste em saber que realmente é uma temática que pode gerar muito preconceito nessa sociedade pequena e hipócrita. Mas olha, vou colocar na minha infinita wish list rsrsrs
Beijos
Meu Meio Devaneio
Nessa capa já existem duas coisas que o colocaram na minha listinha de desejos: O nome do autor e o título! Todas as pessoas deveriam dar uma oportunidade para esse tema ainda tão polêmico.
ResponderExcluirBeijinhos
paixaodeleitora.blogspot.com
Ai Lu...
ResponderExcluirQue resenha maravi-linda. Quero muito ler esse livro, espero que seja uma das minhas próximas leituras.
Beijos!
http://www.theniceage.blogspot.com.br/
Preciso desse livro pra ontem!! Adorei a sua resenha e principalmente o tema do livro. Nunca li nada deste autor, mas pelo que você fala (e também pelos comentários do post) dá muita vontade de conferir!
ResponderExcluirBeijos!
Blog Mundo Mágico dos Livros
Oii, tudo bem?
ResponderExcluirFiquei super curiosa com esse livro, quero ler em breve!
Beijos.
http://www.garotadolivro.com/
Lu!
ResponderExcluirMeu Deus, me sinto exatamente assim quando se trata de um livro do Levithan... Já tinha muita vontade de ler esse livro só por causa do títulos. Convenhamos, eu amo essa coisa de o Levithan escrever sobre todos os tipos de tabus que rolam por aí. Mas cara, achei SENSACIONAL o livro ser narrado por pessoas que perderam a vida para a AIDS. Quero muito ler!
Beijos! <3
http://www.roendolivros.com/
Eu li Todo Dia e apesar da premissa interessante o Levithan não me convenceu muito, a sensação é que faltou alguma coisa. Dois garotos se beijando foi a redenção, li em apenas um tarde e foi uma experiência única. A ideia de narradores que morreram em decorrência da AIDS, que passam suas experiências para os garotos e fazem um paralelo com as dificuldades que enfrentaram e as conquistas que esse jovens já tem, é brilhante. Os personagens são tão reis e o Levithan numa escrita rápida, leve fluída e intensa nos joga verdades na cara e nos toca de maneira única. Esse livro mexe fundo com o leitor, foi um prazer enorme lê-lo. Só queria saber se o Harry e o Craig voltaram ou não....
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